sexta-feira, abril 03, 2009

A Calma

foto da wikipédia



Liliana experimentava uma estranha calma.
Não sabia de onde, ou como tinha surgido,simplesmente viera.
Talvez por ter pensado que já perdera o medo de morrer.
Talvez por já se ter ajoelhado e prostrado por terra,fruto de desepero.
Talvez por já ter experimentado o peito cheio e imaginado que abraçara toda a gente, sem excepção.
Talvez por ter ardido toda.
Talvez por se ter entregue sem receio a uma e outra causa.
Talvez por ser esse o seu jeito,o seu modo de ser...talvez... A calma viera.Ficara.
O estranho começava a ser ela não se ir embora.
Liliana observava-se.
Fazia tudo igual, mas dentro de si sabia que não era mais a mesma.
Quantas vezes morrera? Quantas vezes já renascera dentro dela?
Era esta densidade que lhe tinha dado o mérito desta calma?
É que até estas perguntas, não tinham importância, eram uma espécie de entretém, como quem faz palavras cruzadas.
Sabia-se antiquíssima...
Os homens são crianças, pensava.
Ocorriam-lhe assim frases...
Olhava e via. O ouro e prata jorravam das folhas de hera, nas paredes de muros velhos. Olhava o céu azul e era como entrar por mar adentro. O calor da tarde fazia-se sentir sem ser demasiado.
Liliana agradecia cada passo.
Estava viva e consciente. Sabia que cada movimento seu, interferia com tudo o resto, mas não a paralisava. Tinha energia.
Amava cada pedra, cada mágoa, cada perca, e a energia sobrava.
A natureza cantava-lhe. O seu coração, ás vezes, parecia que ía explodir de alegria, com tamanha beleza...
Mas era só uma pequena exaltação dentro daquela calma...


( texto escrito em 16 de Março de 2007)
Lisboa 3 de Abril de 2009

terça-feira, março 31, 2009

Um dia Transparente

foto retirada da wikipédia

Atravessam-me

o azul do céu

e o verde

em ondas de aromas ténues.

Sinto o colo quente da terra

e a ternura

que é a dádiva do sol.

Plantada aqui agora

Regaram-me estas palavras...



Lisboa, 31 de Março de 2009

quinta-feira, março 26, 2009

O SOL


Foto: Spaceweather




É em função de ti,



de ti,



de ti,



que existo...







Porque me olhas e questionas ?







Se vejo apenas o fogo do sol



que me ilumina



dentro do teu coração ?




Lisboa 26 de Março de 2009

quarta-feira, março 18, 2009

Navegar é Preciso...


Comentário que deixei no blog "O Caminho do Coração" a propósito da frase de John A. Shedd :


"Um navio está seguro no porto - mas os navios não foram feitos para isso..."



Navio que partes para o mar,
Terás porto onde atracar...
Podes ir a parte incerta
Se acautelaste a coberta,
Reforçaste o tombadilho,
Tens barco de proa erguida,
Um porão bem guarnecido,
Mapas, bússula e estrelas,
Para assim te orientar.

Partes então confiante,
Para nas ondas galgar,
Olhando no horizonte,
A imensidão do mar.
Vês sol nascente e poente
Nuvens e pássaros no ar.
Sentes então simplesmente
Esse e-terno balouçar
Que és tu só e esse mar.

Marinheiro, foste feito,
Das ondas do mesmo mar,
Do pó de estrelas e serras
E do ar que respirares.
Mas depois dessa experência,
Vais abastecer e voltar
É preciso sempre um porto,
Para poderes partilhar...
Para voltares a sonhar...
Liliana, 17 de Março de 2009

sábado, março 07, 2009

TINTA MINHA...




Tinta minha com que escrevo

que te aprestas a servir,

através desta caneta e

num papel descrever,

usando as convencionais

letras e sinaléticas

para expressar um sentir

que não se pode dizer...


Ikusões, tudo ilusões!


Eu sou tinta e sou papel,

sou imagem,

sou ideia,

no fundo, sou intuição

expressão

de algo maior

que todos nós comungamos.



LILIANA



(Foto de INS)

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Intimação de Sol...




Há dias em que acordo apaixonada pela vida.


Como se me envolvesse para além dos sentidos,


me transportasse para o suave toque de luz do sol em tua mão,


ainda que pouco forte, por ser Inverno.


Para o vento, a ondular tudo o que mexe,


para levar os aromas que, suaves, nos elevam.


Para a alegria de ver, no ser mais pequenino, a mão da vida.


E em tudo, tudo, ela aparece!


Para o céu azul, mas de um azul tão ténue, que me parece azul enevoado,


ou tão delicado, como uma prece.


Para que eu saiba dizer da Graça que é trazer VIDA assim no peito


e poder servi-La, ou passá-La , através dum sorriso insuspeito.


Poder, em cada um, depositar um pouco deste alento, tão perfeito.


Dar-vos estas palavras soltas como um voar de pássaros em bando!




Liliana




Lisboa, 17 de Fevereiro de 2009.




(Foto de INS).